Bebedouro na rota dos revoltosos do Quebra-quilos (1874-1875)

Por Paulo Junior - Especial para o Blog Adriano Monteiro

Propaganda Pernambucana, alusiva a Revolta do Quebra-Quilos
Fotos: Blog do Leandro Vilar

A Revolta do Quebra-Quilos, esquecida por muitos historiadores e não apresentada nos livros de História adotados por nossas escolas,eclodiu nos últimos anos do período Imperial. Segundo Vilar:


Tal revolta embora tenha ocorrido em menos de um ano, fora uma das mais importantes revoltas sociais da região Nordeste na década de 1870 e nos fins do império, pois iniciada na província da Paraíba, a revolta se espalhou rapidamente para outras três províncias, levando o imperador D. Pedro II a mobilizar tropas da Guarda Nacional para conter as ações impetuosas cometidas pelos quebra-quilos, assim como passaram a serem chamados tais revoltosos.

Novo sistema de pesos, alvo das manifestações


A eclosão do motim decorreu da mudança no sistema de pesos e métricos, adotado através de uma Lei imperial, foi fator contribuinte para tal revolta o aumento na cobrança de impostos. Ainda segundo Vilar, a revolta em Pernambuco, teve inicio na então Vila de Itambé e, mesmo tendo uma ação enérgica do governo provincial, se espalhou por várias localidades do nosso estado, chegando inclusive à região Agreste. Maior, na obra Quebra-Quilos: lutas sociais no outono do Império, descreveu à invasão dos revoltosos na feira de Caruaru. De acordo com Maior, apud Vilar:

Em Caruaru a atuação dos quebra-quilos explode no dia 12 de dezembro de 1874. Aproximadamente 400 homens, usando punhais e bacamartes, chefiados por Vicente e Manuel Tenório, moradores da Comarca vizinha do Brejo, e João Barradas, residente em Caruaru, invadem a cidade, às 10 horas, quando se realizava a feira, aliciando revoltosos e lançando insultos contra as autoridades. (MAIOR, 1978, p. 125). 

Através de pesquisa realizada no Jornal A Província, na edição de n° 471,que circulou em 19/12/1874,  o órgão que na época era pertencente ao partido liberal, trouxe matéria comunicando que a invasão também havia ocorrido durante a realização da feira da povoação de Bebedouro e também na feira de Bezerros.

A invasão na povoação de Bebedouro
deu-se no dia 13.12.1874


Na semana seguinte, o jornal A província, voltou a noticiar a preocupação com novas investidas na cidade de Caruaru. Além da feira de Caruaru, e a de Bebedouro, o jornal noticiou que Bonito também foi alvo dos protestos populares. Boatos relatavam que as próximas manifestações teriam como alvo as povoações de Brejo e Altinho, além do retorno a Caruaru. O jornal noticiou que está a cidade de Caruaru em alarme, as autoridades policiais armaram gente para os repelir os revoltosos.

Para pôr fim à sedição, o governo da província solicitou reforço policial ao imperador que encaminhou tropas do Rio de Janeiro. Opositores do governo da província enfatizam no jornal, que é preciso que o povo saiba que o governo manda derramar o sangue do povo que pratica a única violência de quebrar kilos e metros. O mesmo jornal relata que por onde passa os revoltosos, investem contras as Câmaras Municipais, não escapando sequer o retrato do imperador. Em Buíque, documentos da coletoria foram rasgados e os pesos e medidas foram danificados.

Esta revolução popular não foi a única ocorrida no período Imperial, na qual o povo de Bebedouro participou, aqui poderia ser relatado a Revolta dos Cabanos que teve seu epicentro em Panelas, bem como a revolta popular decorrente dos atos praticados pelo então Prefeito do Altinho o Padre Zacarias, onde a feira local também foi o alvo das manifestações populares. O “garimpar” dos historiadores podem revelar outras curiosidades até então esquecidas nos arquivos do nosso estado.

Em comemoração aos 89 anos de emancipação de Agrestina, escolhi esta revolta popular, a qual não é detalhada em muitos dos livros de História das nossas escolas. Para fazer uma justa homenagem aqueles/as que desde tempos mais remotos, lutaram como atos que consideravam injustos e abusivos.

Fonte de pesquisa:
Vilar, Leandro. A Revolta do Quebra-Quilos (1874-1875). Disponível em:
Jornal A Província. Edição n° 471 e 477 (dez. 1874).


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