Mulheres Destaques de Agrestina - A matriarca da família Grande e Leite


“Assim como não é possível contar as estrelas do céu, nem calcular a areia das praias do mar, desse modo multiplicarei a descendência de meu servo Davi e dos levitas, que me servem.” (Jeremias 33:22)

Fotos: Acervo da família Leite
Dando continuidade a série mulheres destaques de Agrestina, hoje rendo homenagem a Dionízia Amélia de Jesus, conhecida entre os seus parentes, por Mãe Duta, já o povo que teve a oportunidade de conhecer, a chamavam de Dona Duduca.

A nossa homenageada nasceu em 29.11.1883, casou com Manoel Francisco Leite, e deste matrimônio nasceram 12 filhos, a saber: Maria Amélia de Jesus (1901); Pedro Manoel Leite (Pedro Grande) (1902); José Francisco Leite e Luiz Francisco Leite, gêmeos (1905); Joana Amélia de Jesus (1908); Sebastião Grande da Silva (1910);Epifânio Manoel Leite(1912);Gabriel Francisco Leite (1913); Lucas Manoel Leite (1919); João Manoel Leite(1919); Teófila Amélia de Jesus(1920) e Quitéria Amélia de Jesus(1922). Quase todos os filhos, após contraírem matrimônio e constituírem família, radicaram-se no entorno do Vale do Una e do Rio Mentirosos onde até hoje os descendentes de Dona Duduca possuem terrenos destinados a atividades agropastoris.A maiores dos descendentes possuem até hoje o sobrenome Leite, descendem também do tronco da família de Dionízia Amélia de Jesus, a família Monteiro, Marcolino Santos, Lopes Leite, Avelino, Celestino, Belarmino, entre outros.


Dionízia Amélia de Jesus, aparece ao centro da foto, sendo ladeada pelos filhos.

Dona Duduca, ou Mãe Duta ficou viúva cedo, assumindo assim a chefia da família. O estado de viuvez rompeu com o modelo de família patriarcal, dominante no século XX, passando Dionizia a chefiar os membros da família Leite e Grande. Este fator atípico à época, me incentivou a apresentar para os leitores, esta chefe de tão numerosa família. Mulher de personalidade forte, a obediência as suas ordens era regra a ser seguida por todos os filhos, independente do estado civil ou idade. Contou-me meu pai, que o seu Tio Pedro, casado, já sendo avô, saia de sua residência em Barra do Chata, quase que diariamente, para vir pedir a benção materna e, consequentemente ouvi-la, ou caso estivesse errado, receber reclamações. Sebastião Grande, avô materno do meu pai, era um dos filhos mais próximos de Mãe Duta, também era alvo de reclamações da mãe, uma vez que sendo político, deixava as pessoas adentrarem com facilidade na Fazenda Laranjeiras, encravada no Vale do Mentirosos, e isto por muitas vezes levavam à destruição da horta cultivada com tanto zelo por Dona Duduca. Calmo, Sebastião apenas dizia, deixe o povo pra lá mãe.

            A proximidade de Sebastião Grande com a sua mãe, pode ser observada em alguns dos registros fotográficos da família, conforme os leitores podem verificar abaixo:



Na foto Paulo Monteiro a criança em destaque na frente, a senhora no centro da imagem é a matriarca da família, acima dela se encontra o filho Sebastião Grande. Acervo Pessoal da família

            Segundo relatos colhidos com meu pai, as datas festivas do calendário, era motivo de reunião dos parentes, ganhando destaque especial os festejos do final do ano e a passagem da Semana Santa. A alegria em reunir todos os filhos para celebrarem a vida não durou até os últimos dias da vida de Mãe Duta. O uso da violência provocou a morte de Quitéria Amélia de Jesus, que residia no Recife, pois foi brutalmente executada por seu esposo, que após o homicídio praticado tomou destino ignorado, não sabendo a família o motivo para pratica deste ato. Certamente, o coração de mãe, mesmo vendo a casa repleta de filhos, netos, bisnetos, nunca mais se completou devido a ausência da sua filha Quitéria.

            A educação dada por esta matriarca aos seus filhos, sem dúvida foi imprescindível para que seus descendentes se tornassem pessoas integras e viessem a gozar de enorme prestígio social em Agrestina, inclusive levando dois deles a ingressarem na política e assim servirem ao povo. O primeiro foi Gabriel Grande em 1947, logo depois Sebastião Grande, (Vereador, Presidente da Câmara e Prefeito), o prestigio que Sebastião possuía entre o povo Agrestinense, era de tamanha proporção que 90% do eleitorado da época o conduziram ao cargo de prefeito, sendo esta a maior vitória política da história de Agrestina.

            A homenageada deste artigo, faleceu aos 85 anos de idade, em sua residência localizada às margens do Rio Mentirosos, próximo a Fazenda Laranjeiras, onde viveu por muitas décadas e nela praticou, assim como centenas de agrestinenses, as atividades agropastoris as quais garantiram o sustento dos filhos. A esta agricultora, mulher simples, chefe matriarcal de descendência tão numerosa rendi esta homenagem hoje. Externo que a produção deste artigo não foi fácil haja vista que “o historiador da família confronta-se sempre com o problema[...] de estabelecer, da melhor forma possível, as ligações entre os fatos e a teoria, as anedotas e a análise.” (STONE: 1990), espero que mesmo diante das minhas limitações, tenha sido possível agradar aos leitores.

Amanhã 07.03 publicaremos o penúltimo texto deste série denominada Mulheres destaques de Agrestina, no próximo texto estarei  prestando homenagem a algumas tabeliãs do nosso município e que através do exercício de suas funções se destacaram no nosso meio social.


Por Paulo Junior / Professor e Historiador

Mulheres Destaques de Agrestina - A matriarca da família Grande e Leite Mulheres Destaques de Agrestina - A matriarca da família Grande e Leite Reviewed by Adriano Monteiro on 6.3.17 Rating: 5

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