Com Lula, cúpula petista avalia cenário com Marina consolidada em 2ºlugar

A cúpula da campanha de Dilma Rousseff avalia que a ex-senadora Marina Silva (PSB) já está consolidada na segunda colocação na disputa pelo Palácio do Planalto e que o tucano Aécio Neves, se quiser reverter o quadro atual, terá de bater na nova adversária da disputa.

Em reunião realizada na noite de quarta-feira, com a presença de Dilma e do ex-presidente Lula no Palácio da Alvorada, os coordenadores da campanha analisaram levantamentos que mostrariam a petista perto dos 40%, Marina acima de 20% e Aécio na faixa dos 15%.

Segundo um dos participantes da reunião, estes levantamentos mostram ainda que, num cenário de segundo turno, Marina já aparece na frente de Dilma, fora da margem de erro.

Na última pesquisa Datafolha, divulgada no dia 18, Dilma apareceu com 36%, Marina com 21% e Aécio 20%. Nas simulações de segundo turno, Marina apareceu com 47%, empatada tecnicamente com Dilma, com 43%. Na simulação de segundo turno entre Dilma e o tucano, a petista venceria por 47% a 39%. O Datafolha ouviu 2.843 eleitores em 176 municípios nos dias 14 e 15 de agosto.

"É um cenário que, se for mantido nos próximos quinze dias, indica que teremos um segundo turno entre Dilma e Marina", relatou.

A cúpula petista está dividida, porém, sobre quem seria o melhor adversário num segundo turno. Um grupo prefere Aécio, por considerar mais fácil fazer o contraponto do nós contra eles e porque, nos últimos levantamentos de segundo turno feitos pelo partido, Dilma aparece na frente do tucano.

Além disso, Marina é vista como imprevisível e cativa um eleitorado que já votou no PT e está indeciso.

Outra ala, no entanto, acredita que seria mais fácil derrotar Marina Silva, porque o voto da direita e de boa parte do empresariado, que iria para o tucano, deve voltar para a presidente Dilma.

Aliado da presidente Dilma e amigo pessoal de Marina, o senador Jorge Viana (PT-AC) disse nesta quinta preferir o embate com Aécio, em um eventual segundo turno. Na quarta, o líder do PT na Câmara, o deputado Vicentinho (SP), já havia afirmado o mesmo.

"Se pudéssemos escolher o adversário, ele seria o PSDB. Poderíamos comparar facilmente os oito anos de governo do PSDB com os anos do governo do PT. A Marina fez parte desse governo do PT, mas traz novidades nas teses que defende e nas práticas que ela aposta", afirmou o senador Jorge Viana.

Para os tucanos, esse discurso petista faz parte de um jogo de cena. A cúpula do PSDB avalia que o PT quer inflar a candidata Marina porque teme a disputa com Aécio no segundo turno. A campanha tucana, contudo, reconhece que o cenário atual, com a entrada de Marina, ficou desfavorável para Aécio.

Petistas e tucanos concordam num ponto. Será preciso aguardar duas semanas para avaliar se o potencial de votos atual da candidata que substituiu Eduardo Campos é "sustentável".

A reunião da cúpula petista no Palácio da Alvorada foi convocada para avaliar o novo cenário com a entrada de Marina Silva na disputa e contou com a volta de Lula, que não estava frequentando os últimos encontros.
O ex-presidente, segundo relatos obtidos pela Folha de S. Paulo, vê Marina como uma adversária mais difícil de ser derrotada que o tucano, apesar de alguns assessores avaliarem que ela seria uma candidata mais fácil de ser ''desconstruída" do que o tucano.

A possibilidade de Marina ir para o segundo turno derruba a estratégia montada pelo PT de polarizar a campanha com o PSDB.

A ordem, por enquanto, é evitar bater boca com Marina e apostar que o ''jogo sujo'' contra a ex-senadora terá de ser feito pelos tucanos.

Folha de S. Paulo

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