Armando Monteiro encara o maior desafio de 2014

Foto: Adriano Monteiro
Por razões mais do que compreensíveis, a campanha para o governo de Pernambuco tornou-se o principal laboratório estadual para se avaliar o impacto da morte de Eduardo Campos nas eleições de 2014. Berço político do candidato do PSB morto na tragédia do Cessna, no início do ano Eduardo Campos lançou um ilustre desconhecido, Paulo Câmara, para disputar o governo do Estado – e agora aliados e adversários se perguntam o que irá acontecer até 5 de outubro, quando se abrem as urnas para o primeiro turno.

Na penúltima pesquisa, realizada antes da morte do candidato, Câmara estava com 11% das intenções de voto, contra 40% para o senador Armando Monteiro Neto, do PTB. Na semana passada, o Ibope mostrou uma ascensão do candidato de Eduardo para 29% das intenções de voto, enquanto Armando Monteiro permanecia na mesma faixa, com 38%. 

Para quem estuda a política pernambucana, o que se assiste, agora, é um processo previsível de ajuste entre a preferência dos eleitores e o prestígio de cada candidato. Numa entrevista ao Brasl 247 realizada antes da última pesquisa, o professor Michel Zaidan, da Universidade Federal de Pernambuco, antecipou o crescimento de Paulo Câmara, argumentando que era muito natural "esperar uma mudança nas pesquisas”. “Tanto o Paulo estava pequeno demais, em função do desconhecimento, como Armando Monteiro estava grande demais, porque é um empresário e senador bastante conhecido no Estado. A eleição não vai ser assim." Para Zaidan, Eduardo Campos era um mito político em construção. Mesmo tendo sido reeleito, em 2010, com 82% dos votos, ainda não conquistara a autoridade única de seu avô, Miguel Arraes. Além disso, sua força política foi construída em companhia do também pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva, que assegurou um tratamento preferencial a seu estado natal – e que, ao lado de Dilma Rousseff, estará em campanha por Armando Monteiro.

Para Elly Ferreira, do Núcleo de Estudos Eleitorais da UFPE, o crescimento de Paulo Câmara se apoia num conjunto de fatores que se somaram. "Em pouco tempo, tivemos a comoção pela morte de Eduardo Campos, e a candidatura de Marina, que sempre teve intenções de voto mais altas. São dois eventos muito fortes," diz Ferreira. Lembrando o início do horário político, Ferreira lembra que ele sempre "beneficia mais um candidato desconhecido." Para o professor, a dúvida é saber se Paulo Câmara será capaz de transformar a comoção, puramente emocional, em votos. "Ele terá de mostrar que tem conteúdo e apresentar propostas. Caso contrário, pode até cair no descrédito." Lembrando os protestos de junho de 2013, que deixaram como saldo o questionamento da classe política, Elly Ferreira observa que o candidato Armando Monteiro Neto, do PTB, tem demonstrado uma impressionante capacidade de resistência. "Embora tenha acumulado dois mandatos como deputado, e seja senador, ele está com boa pontuação das pesquisas. Não parece ter sido atingido pelos protestos."

Aos 62 anos, herdeiro de uma das grandes fortunas do Estado, Armando Monteiro conversou com Brasil 247 na semana passada, para uma entrevista em duas partes – antes e depois dos novos números. Filho de um empresário que soube combinar os negócios e a atividade política, chegando a ser ministro da Agricultura no governo parlamentarista de João Goulart, o senador-empresário tem uma carreira múltipla. Foi presidente da Confederação Nacional da Industria entre 2002 e 2010. Em 2013 foi escolhido o melhor integrante do Senado Federal numa pesquisa do Iesp-RJ e já foi apontado entre as 100 melhores Cabeças do Congresso pelo DIAP, Departamento Intersindical de Asssessoria Parlamentar. Em campanha pela reeleição de Dilma Rousseff, diz que o governo "não foi uma Brastemp para o saldo geral é bom." Entrando no debate da campanha presidencial, ele rejeita a proposta de Marina Silva, que lançou a ideia de se definir a independência do Banco Central em lei. "Na experiência brasileira eu me sinto mais confortável com autonomia operacional”, diz. "O Brasil precisa construir um ambiente institucional mais sofisticado para chegar a esta questão. Mas ainda não há isso em um horizonte mais curto."

Portal BR247

Armando Monteiro encara o maior desafio de 2014 Armando Monteiro encara o maior desafio de 2014 Reviewed by Adriano Monteiro on 30.8.14 Rating: 5

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