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Dilma discursa hoje em conferência sobre o futuro da internet

A presidente Dilma Rousseff discursa hoje, às 10h, na abertura da NetMundial, conferência que reunirá representantes de 85 países em São Paulo para discutir o futuro da governança da internet.

O evento, que acontece hoje e amanhã, terá representantes da sociedade civil, academia, governos e do setor privado para pensar, entre outras coisas, como estabelecer um controle mais global –leia-se menos concentrado nos EUA– da rede mundial.

A iminência do NetMundial pressionou o Senado a aprovar ontem a votação do Marco Civil da Internet, que o governo pretende mostrar no evento como um exemplo mundial de legislação para a rede.

Entre os principais nomes confirmados para o evento estão, além de Dilma, o ministro das Comunicações, Paulo Bernado, o britânico criador da web Tim Berners-Lee e o americano Vint Cerf, um dos fundadores da internet.

ESPIONAGEM

A NetMundial foi idealizada pelo governo brasileiro e pela Icann (sigla, em inglês, para Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números) em resposta às denúncias de que os EUA teriam usado a rede para espionar autoridades e empresas do mundo todo, inclusive Dilma e a Petrobras.

Apesar disso, o objetivo principal não é debater a prática de espionagem na rede.

"A espionagem não tem ligação direta com a governança da internet, mas a conferência poderá discutir princípios para a governança que estão relacionadas [à espionagem], como a questão da privacidade", diz Virgílio Almeida, secretário de política de informática do Ministério de Ciência e Tecnologia.

A governança da rede, diz Almeida, está mais ligada aos protocolos e convenções técnicos básicos necessários para que a internet funcione.

Uma das discussões centrais será como democratizar o controle da Icann, entidade que cuida dos endereços de internet e hoje é ligada ao Departamento de Comércio dos EUA.

Em março, o governo americano disse estar disposto a abrir mão do controle do órgão, um dos mais importantes da internet.

PARA O PÚBLICO

O NetMundial é fechado para convidados, mas poderá ser acompanhado pela internet em bit.ly/netmundial

Paralelamente, personalidades como Berners-Lee, o deputado Alessandro Molon (PT-RJ), relator do Marco Civil, e o cantor Gilberto Gil discutirão o assunto na "Arena Mundial", no Centro Cultural São Paulo, próximo ao metrô Vergueiro.

Folha de S. Paulo

Campos "ganha" jornais e consultoria internacional

Foto: Adriano Monteiro
A semana do ex-governador de Pernambuco e presidenciável pelo PSB, Eduardo Campos, começou movimentada no campo internacional. O socialista, que defende que o Brasil reconquiste a confiança dos mercados internacionais para melhorar o desempenho da economia, deu entrevistas para o Wall Street Journal (EUA) e o The Financial Times (Inglaterra), além de ser citado em um relatório da agência de consultoria Eurasia Group como a maior ameaça à campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).

Ao falar para os veículos internacionais, Campos demonstrou confiança acerca do pleito de outubro e das expectativas para o Brasil em 2015. “Hoje [ontem (20)] falei a jornais de outros países, e disse da minha confiança na economia do Brasil, com a mudança política que acontecerá em 2015”, escreveu o ex-governador, na legenda de uma foto na Rede Social Instagram.

“Atualmente a política fiscal e a política monetária caminham separadas”, afirmou o presidenciável, durante as entrevistas, ressaltando que o Banco Central (BC) precisa de mais autonomia para “encorajar investidores e ajudar o Brasil a retomar um crescimento rápido”. A Petrobras, maior estatal brasileira e alvo de uma crise devido à compra de uma Refinaria nos Estados Unidos, também foi citada pelo socialista. “É preciso profissionalizar a diretoria e proteger a empresa de interferências”, afirmou Campos.

Como que acompanhando a caminhada de Campos em busca de apoio internacional ao seus planos eleitorais, um relatório divulgado pela Eurasia nesta segunda-feira (21), Campos é visto como um perigo maior para a campanha em torno da reeleição de Dilma do que o senador e presidenciável pelo PSDB, Aécio Neves (MG). Apesar de destacar o nome de Campos, a empresa afirma que mesmo que Dilma continue perdendo popularidade, a petista ainda possui cerca de 70% de chances de ganhar as eleições presidenciais em um eventual segundo turno.

Segundo o relatório, apesar dos índices apresentados pela presidente terem caído, Dilma ainda não demonstra números que colocariam a sua reeleição em risco. Entretanto, uma vitória do PT em um eventual segundo turno no pleito de outubro teria índices mais apertados do que as últimas três eleições presidenciais ganhas pela legenda.

De acordo com o documento, a presidente venceria com uma vantagem de quatro a seis pontos, margem menor do que os 13-22 pontos apresentados por ela e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos pleitos anteriores.

Como embasamento, o texto usa uma pesquisa realizada pelo Ipsos Public Affairs e consultorias realizadas em cerca de 200 eleições em todo o mundo. De acordo com os dados, os presidentes que possuem uma aprovação variando entre 40% e 60% em escala binária – índice que mede apenas a aprovação e a reprovação –, faltando seis meses para o pleito, são reeleitos em 85% dos casos. 

Na última pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), destacada no texto, a presidente apresentou, na escala binária, 47% de aprovação. Em março, o índice era de 51%.

PE247

Lyra vai a Dilma levantar dinheiro para obras


A pauta da reunião que o governador de Pernambuco João Lyra Neto (PSB) terá com a presidente Dilma Rousseff (PT) está definida. Com apenas oito meses de gestão pela frente, o socialista quer garantir, o quanto antes, a liberação de empréstimos contratados pelo governo do Estado. Assim, a conversa irá girar, prioritariamente, em torno do Programa de Reestruturação de Ajuste Fiscal (PAF). A meta de investimentos para 2014 é de R$ 3,7 bilhões. 

“Temos empréstimos contratados com instituições financeiras nacionais e internacionais e, para que se efetue a liberação, precisamos da avaliação do PAF. Como Pernambuco cumpriu todas as metas, acredito que será atendido”, comentou Lyra. O valor exato dos empréstimos não foi divulgado.

Nos dois primeiros meses deste ano Pernambuco registrou o menor volume de repasses da União por meio de convênios na gestão Dilma Rousseff (PT). Foram R$ 80 milhões.

Durante o encontro com a presidente, João Lyra Neto pretende abordar, ainda, obras de mobilidade como a Ferrovia Transnordestina, em que a previsão de entrega era 2010, e o Arco Metropolitano, cujo edital de licitação o governador espera ter lançado em junho. Convênios com o Ministério do Desenvolvimento Agrário também vão entrar na pauta. A data para a reunião com a presidente Dilma ainda não está definida, devendo ocorrer entre os dias 28 e 30 próximos.

Júlia Schiaffarino / Diário de Pernambuco

Vergonha em Caruaru

Por Magno Martins

Foto: Adriano Monteiro
Mais uma vez, a justiça devolveu a cinco dos dez vereadores afastados em Caruaru o direito de retomarem seus mandatos. E não será surpresa se nos próximos dias os outros cinco parlamentares pilhados na Operação Ponto Final, acusados de corrupção passiva e organização criminosa, também retornarem.

Segundo a polícia apurou, os vereadores teriam exigido do prefeito José Queiroz (PDT) o valor de R$ 2 milhões para aprovação do projeto do BRT (Bus Rapid Transit), orçado em R$ 250 milhões.

Foram presos, após seis meses de investigação da Polícia Civil, os vereadores Sivaldo Oliveira (PP), Cecílio Pedro (PTB), Pastor Jadiel e Val das Rendeiras (Pros), todos da base governista, e mais seis da oposição: Val (DEM), Louro do Juá e Eduardo Cantarelli (SDD), Jajá (expulso do PPS), Neto (PMN) e Evandro Silva (PMDB).

Mas a justiça soltou logo em seguida todos eles por decisão monocrática do desembargador Fausto Campos. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) expediu, em seguida, uma recomendação à Câmara de Caruaru sugerindo a abertura de um processo de cassação dos dez vereadores presos.

O MPPE também ingressou com uma ação cautelar de improbidade administrativa contra o grupo, mas ontem o processo sofreu uma nova reviravolta e cinco vereadores foram reintegrados aos mandatos.

Uma vergonha! A justiça, que tarda e falha no País, permite que a Câmara de Caruaru viva uma situação sui generis: o pagamento adicional, desde dezembro do ano passado, dos salários de 10 suplentes, inflando a folha em R$ 90 mil a cada mês.

Tudo porque nenhum vereador afastado deixou de receber seus subsídios, enquanto a mesa da Câmara teve que convocar os suplentes para garantir o quórum das sessões. Neste caso, só eles ganham. Quem perde é a sociedade com a sangria dos cofres do Legislativo.

1º Pedala Agrestina acontecerá em maio


A fundação Emília Pinheiro em parceria com o CDL estará realizando no mês de maio, o 1º passeio ciclístico Pedala Agrestina. O evento que reunirá a população agrestinense deverá percorrer as principais ruas do município em direção a um distrito ainda não divulgado. Todo o trajeto terá o apoio de equipe médica e haverá a distribuição de brindes para os participantes. Os kits contendo blusas e panfletos com informações de boas práticas para melhor qualidade de vida serão trocados por 2kg de alimentos que serão distribuídos para as famílias carentes do município.

A data deverá ser divulgada nos próximos dias.

Por Adriano Monteiro

Time 21 de Abril comemora 45 anos de existência

Foto: Adriano Monteiro
Ainda no primeiro tempo, o time da casa fez o gol da vitória.
Foto: Adriano Monteiro
Em um jogo amistoso na tarde desta segunda-feira (21), o time de futebol agrestinense, Vinte e Um de Abril, comemorou os seus 45 anos de existência. Contando com a presença de vários amantes do esporte, o time duelou com o Sete de Setembro de Garanhuns, vencendo por 1x0, com um gol feito logo no primeiro tempo.

Antes da partida, os jogadores fizeram uma homenagem ao jogador "Branco", que faleceu em um acidente. Vestindo camisas com a foto do amigo, o 21 de Abril, posou para a formação do time.

Foto: Adriano Monteiro

(Clique aqui) para acessar todas as fotos no Facebook

Por Adriano Monteiro


Dois idosos ficam feridos em acidente na BR-104 em Agrestina, no Agreste

Segundo PRF, condutor teria perdido o controle do carro em uma curva. Mulher de 74 anos teve ferimentos graves e foi socorrida para o HRA.

Um acidente deixou dois idosos feridos nesta segunda-feira (21), no quilômetro 77,9 da BR-104, em Agrestina, no Agreste de Pernambuco. De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), as vítimas são um homem de 73 anos e a mulher dele, de 74 anos.

Ainda segundo a PRF, o idoso dirigia um carro de passeio e teria perdido o controle do veículo em uma curva da rodovia. A polícia informou ainda que, após sair da pista, o carro bateu em outro automóvel acidentado que estava parado no acostamento, em seguida colidiu com uma barreira e tombou.

O condutor teve ferimentos leves. Já a mulher foi levada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em estado grave para o Hospital Regional do Agreste (HRA), em Caruaru, na mesma região. Segundo o Serviço Social desta unidade, a paciente realiza exames e tem quadro estável.

G1 / Caruaru e Região

Dilma, Campos e Aécio empatam em cenário só com eleitores que os conhecem

Os candidatos a cargos públicos costumam repetir que agora ainda é cedo para analisar o cenário eleitoral, pois a maioria dos brasileiros ainda não está conectada à disputa de outubro e poucos eleitores conhecem neste momento todos os principais nomes na corrida pelo Palácio do Planalto.

É tudo verdade. Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, realizada nos dias 2 e 3 deste mês, apenas 17% dos eleitores afirmam conhecer "bem" ou "um pouco" os três principais pré-candidatos a presidente: Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

Nesse universo, embora a margem de erro do levantamento se torne bem maior por causa do número pequeno de entrevistados, o resultado final é muito diferente daquele apurado quando é considerado o total da amostra do instituto.

No cenário testado apenas com eleitores que conhecem os três principais candidatos, Campos fica com 28%. É seguido por Dilma, com 26%. Aécio pontua 24%.

Os três estão tecnicamente empatados. É que a margem de erro sobe para cinco pontos percentuais, para mais ou para menos. No âmbito geral da pesquisa, essa margem chega a apenas dois pontos percentuais.

O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, faz um alerta: "Os eleitores que conhecem os três candidatos são os que mais acessam o noticiário, ou seja, são os mais escolarizados, de renda mais alta etc. Nada indica que o eleitor típico de Dilma, ao conhecer Aécio e Campos, deixará de votar nela".

Ou seja, a oposição não terá certeza de sucesso se garimpar apoio apenas entre os que já conhecem e votam em Dilma sem saber direito quem são Aécio e Campos.

A jazida inexplorada de votos à disposição de adversários do PT –e também aberta para a própria presidente Dilma– está no vasto grupo de eleitores que não vota na candidata governista e ainda não conhece muito bem as opções em jogo para pensar em fazer uma mudança.

Em todos os cenários pesquisados pelo Datafolha, no levantamento completo, a petista pontua de 38% a 43% e aparece à frente dos demais candidatos. O restante dos eleitores prefere outros nomes, está indefinido ou vota em branco, nulo ou em nenhum candidato.

Ainda dentro do universo dos que dizem conhecer bem Dilma, Aécio e Campos, desaparece o amplo favoritismo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registrado em todas as pesquisas até agora.

Quando é ele, e não Dilma, o candidato, seu percentual chega a 32%. Aécio e Campos pontuam 23% cada um.

Se Campos é substituído pela ex-ministra e ex-senadora Marina Silva como candidata do PSB a presidente, ela fica com 34% e lidera numericamente a pesquisa contra 23% de Dilma e 25% de Aécio –tudo no universo dos que dizem conhecer os três principais nomes na disputa.

Marina Silva também permanece competitiva se disputar nesse nicho eleitoral contra Lula e Aécio. Nesse cenário, a ex-senadora pontua 32%. O ex-presidente registra 29% e o tucano tem 24%.

Nessa semana, no entanto, o PSB confirmou que a chapa da legenda terá Campos como candidato e Marina na vaga de vice.


SEGUNDO TURNO

Nas simulações de segundo turno feitas pelo Datafolha com esse grupo de 17% dos eleitores que conhece Dilma, Aécio e Campos, os vitoriosos são sempre de oposição –com uma vantagem fora da margem de erro.

Numa eventual disputa entre Dilma e Aécio, a petista seria derrotada porque sua marca é de 31% contra 47% do tucano. Na hipótese de embate com Campos, o socialista registra 48% contra 31% da atual ocupante do Palácio do Planalto.

Folha de S. Paulo

Brasil está entre os países líderes do ranking da inflação

De 16 economias monitoradas pelo BC, a brasileira só tem custo de vida menor que o da Venezuela, da Argentina e do Uruguai. Na média do mundo, preços estão em baixa



Depois de quase duas décadas de estabilidade, o Brasil voltou a figurar em um ranking nada lisonjeiro: o das nações com as maiores taxas de inflação do mundo. No país, enquanto as famílias lutam para acomodar a disparada dos preços em um apertado orçamento — da batata inglesa às carnes, da gasolina ao plano de saúde, tudo aumentou —, nos Estados Unidos, o governo torce pela elevação da carestia e, na Europa, o valor de produtos e serviços caiu tanto a ponto de a ameaça de deflação pôr em risco a recuperação da região.

Desde o início de 2011, quando a presidente Dilma Rousseff tomou posse, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a carestia oficial no país, avançou 22%. Ou seja, em média, a cada ano, a inflação engoliu 6% da renda da população. Tamanho descuido com esse mal produziu um efeito indesejado, como mostra levantamento realizado pelo Correio, com base em uma lista de 16 economias monitoradas pelo Banco Central. Os dados indicam que a nossa carestia só não foi maior do que o custo de vida observado em três vizinhos sul-americanos: Venezuela, Argentina e Uruguai.

Não por acaso, esses são países que tentam combater a inflação da pior forma possível, ao recorrer a medidas como congelamento de preços e intervencionismo em setores-chave da economia. Essas experiências extravagantes, com as quais o Brasil está flertando, ao segurar os reajustes da gasolina e do diesel e ao derrubar as tarifas de energia por decreto, têm, no entanto, alcance curto e pouca eficácia para combater a verdadeira raiz dos problemas. “Uma inflação muito elevada, em geral, é reflexo de uma economia com desarranjos estruturais”, diz o economista Wellington Ramos, da Austin Rating. Nos últimos anos, tornou-se evidente o descompasso entre a demanda das famílias e a oferta limitada de produtos e serviços no país, quadro agravado pela baixa produtividade da mão de obra.

Ao estimular o consumo sem a devida contrapartida da produção, tudo o que o governo Dilma conseguiu foi produzir mais inflação. Há quatro anos consecutivos, o custo de vida sobe muito acima do centro da meta perseguida pelo BC, de 4,5%. Em 2014, a estimativa da instituição é de que os preços ultrapassem os 6%. Pelos cálculos do mercado, o IPCA romperá o teto da meta, de 6,5%, entre maio e junho próximos, e encerrará o ano em 6,47% — a maior taxa desde 2011.

Correio Braziliense

Indústria já considera 2014 um ano perdido

Crescimento fraco, alta de juros, calendário de Copa e eleições levam empresas a reduzir projeções

Diante da piora nas expectativas e da previsão de crescimento da economia cada vez menor, setores dinâmicos da economia dão como perdido o ano de 2014. Incapazes de vislumbrar de onde virá o aquecimento da atividade econômica e com a alta disseminada no nível dos estoques, empresários industriais reveem para baixo suas estimativas, que vão de queda até uma leve alta na produção. Enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê avanço de 1,5% na indústria da transformação, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) passou a projetar queda de 0,8% na produção nacional este ano, sem boas perspectivas para 2015. A previsão anterior da Fiesp era de crescimento de 1%.

O longo ciclo de alta de juros, a reversão de desonerações tributárias e a provável alta no custo de produção, sobretudo em função do encarecimento da energia elétrica e dos insumos importados, estão entre os fatores que dificultam a vida dos fabricantes. Segundo o diretor do Departamento de Economia da Fiesp, Paulo Francini, o chamado carry-over (efeito estatístico que informa quanto do crescimento do ano anterior foi transferido para o seguinte) foi muito negativo para o setor, que virou o ano passado com queda de 3,7%. Além disso, 2014 começou pouco promissor, com redução do consumo das famílias e do crédito, associado a outros fatores “complicados”, como Copa do Mundo e eleições.

— A sensação que temos é que 2014 será mesmo um ano perdido — afirma Francini.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, disse que, em 2014, não haverá crescimento da produção de eletroeletrônicos. O faturamento do setor deve subir entre 3,5% e 4%, mas puxado pelas importações, que correspondem a 26% dos produtos acabados.

A pesquisa de sondagem junto às empresas associadas à Abinee, que será divulgada na próxima semana e foi adiantada ao GLOBO, mostra uma piora nos negócios do setor em março: 44% dos empresários entrevistados responderam que houve aumento nas vendas, contra 61% em fevereiro, e 17% deles informaram que as vendas ficaram estáveis, percentual que correspondia a 25% em fevereiro. Para 39% das empresas, houve queda nas vendas, contra 14%, no mês anterior.

— Diante do calendário que nós temos, o ideal seria que este ano passasse bem rápido — destacou Barbato.

A indústria de máquinas e equipamentos, depois de amargar uma redução de 3% no faturamento em 2012 e de 5,7% em 2013, espera uma estagnação, ou até mesmo uma nova queda de até 3% nos resultados deste ano. Na avaliação do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, com a conjuntura atual, uma retomada dos investimentos será possível apenas a partir de 2016.

— Este ano é de eleições. E o ano que vem será de ajustes, de corte de despesas, com um cenário que não será favorável para a indústria — disse.

A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) estima um crescimento do setor de 4,5% no faturamento este ano mas, diante da desaceleração nas vendas de materiais de construção no varejo, o presidente da entidade, Walter Cover, avisou que os números podem mudar. Já a Anfavea, representante dos fabricantes de veículos automotores, espera que, no fechamento de 2014, seja registrado um crescimento de 1,4% na produção de veículos e de 1,1% nos licenciamentos (mercado interno). No ano passado, esses percentuais foram de 10% e -0,9%, respectivamente.

O presidente da Anfavea, Luiz Moan, reconheceu que, na atual conjuntura, o setor registra avanço em ritmo menos acelerado que o verificado durante a crise de 2008/2009. Ele observou, porém, que hoje as bases de comparação são bem maiores.

— Isso faz parte de um processo absolutamente natural que costumo batizar de dores do crescimento. Quando se vende pouco, é mais fácil registrar um aumento elevado. Mas, num patamar lá em cima, é mais difícil ter o mesmo ritmo de crescimento — disse Moan.

Dados da Anfavea mostram que o licenciamento de veículos registrou queda de 15,2% em março, com 240,8 mil unidades, na comparação com igual mês do ano passado. No primeiro trimestre, o recuo foi de 2,1%.

Perda de competitividade

Para o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo, o setor deve registrar crescimento em 2014, mas em cima de uma base reprimida. No caso do aço bruto, que registrou retração de 1% no ano passado, as projeções são de crescimento de 5%. As vendas internas devem subir 4,1% e as exportações, 2,3%, depois de uma queda de 17,5% em 2013.

Ele destacou que toda a indústria de transformação vem perdendo competitividade de forma sistemática, sobretudo com a entrada de importados, e não consegue aumentar as exportações. Já Fernando Pimentel, diretor superintendente da Associação Brasileira da Industria Têxtil e de Confecção (Abit), disse que a expectativa para a produção é entre alta de 1% e queda de 1%.

— Este ano deverá repetir 2013, porém com mais emoções. Temos eleições e Copa do Mundo, o que altera o movimento no comércio — disse Pimentel.

De acordo com o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloisio Campelo Júnior, as pesquisas de sondagem industrial realizadas pela instituição entre fevereiro e março revelam crescimento disseminado do nível dos estoques nos setores industriais, sobretudo automotivo, mecânico, têxtil, vestuário e calçados, associado a uma demanda fraca, tanto no mercado interno, quanto externo.

— Não quero ser alarmista, mas não vejo sinais positivos na indústria, que deve terminar o ano em ritmo lento de atividade — disse o professor.

Ele destacou que a conjuntura é desfavorável aos investimentos. Lembrou que o setor de bens de capital, depois de resultados positivos entre o fim de 2012 e boa parte de 2013, com aumento nas vendas de caminhões e máquinas agrícolas, voltou a se desacelerar. A queda no índice de confiança neste segmento, salientou Campelo, deve se estender até o segundo semestre. Outro fator agravante são as incertezas envolvendo o setor energético.

O Globo